

Entrega
de Mim!
Despojada
de tudo,
prostada, sem nada para cobrir-me,
só com teus beijos, dos quais faço
uma teia
que cobrirá meu pensamento.
Longe
estás!..
Debato-me em mim.
Tirei meu elo material.
Nada adiantou!
Presa estou,
qual aranha que tece
para prender seu amado,
mas esqueceu que não teceu bem!..
Escapou
num interstício,
deixou-me!
Caí,
vacilei.
Rosto não quero mostrar
Vergonha tenho
de tudo que amei!..
Reduzida
a nada,
vou tecer outra teia de amor,
prender-te em meus braços,
qual ventosa desesperada,
para que não fujas mais de mim,
para que não caia mais prostada assim!..
Eda Carneiro da Rocha.

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